quinta-feira, 3 de março de 2011

Embarcando em uma Loucura

Quando se é um detetive, se torna muito fácil descobrir o endereço das pessoas.
Eu estava no meu carro e descobri que Belatricé morava num prédio, perto do centro da cidade, ou pelo menos quase perto.
Na verdade ela morava quase perto de tudo.
O fato era que eu estava indo atrás de Belatricé, as coisas não ficariam do jeito que tinham ficado  hoje á tarde, e as palavras da cigana ainda martelavam na minha cabeça. Aquilo não era o tipo de coisa que se esquecia com facilidade.
Não podia negar, que eu queria correr, a curiosidade de saber o que sairia da boca dela, me instigava. Belatricé era imprevisível. Talvez ela puxasse o tapete e gritasse na minha cara que era brincadeira. eu esperava fervorosamente por isso. 
Eu parei na porta de prédio dela, e desci do carro esperando qualquer coisa.
                                               **********
A porta abriu no meio de alguns devaneios.
-Ah, então você veio dar a ultima palavra? 
Dei de ombros.
-Bom, acho que entre nós nunca vai ter uma ultima palavra.
-Nada tem uma ultima palavra...-ela estava me olhando  daquele jeito de novo. Como se fosse uma assassina.
-Tem pra morte- desafiei
-Não tem não- ela me encarava sem medo, como se ela estalasse os dedos, eu poderia cair no chão já morto.
Má noticia; eu gostava do perigo.
-Caiu na real?-perguntou ela quebrando o silêncio, em tom sarcástico.
-Desculpe, não entendi...-me fingi de desentendido.
Me encostei no batente da porta, já que ela não parecia muita disposta a me convidar para entrar.
-A grande a revelação que fiz a seus olhos cegos.
-Hum..., você está falando daquele pretexto insano, que você me deu, para que eu largasse do seu pé?
-Não era um pretexto. Era verdade!- disse ela persuasiva.
Dei uma risada sonora.
-Sei...- e desviei os olhos dos delas, ela podia me convencer daquele jeito...
-Acha que eu estou brincando?! Poderia até aturar você...- arqueei uma sobrancelha. Achava legal o modo de ela ser tão franca- Se isso fosse provar que estou certa. E é claro, pelo fato de eu ver sua cara quando der de cara com um fantasma!- ela riu.
-Você vai levar as coisas tão longe assim? Montar uma armação, ou simplesmente puxar o tapete e dizer; ''Ai, seu babaca!''-arfei
-Na verdade ''babaca'' não é bem uma palavra que eu use com freqüência, talvez eu diga idiota. As possibilidades são infinitas.
Belatricé deu um sorriso angelical, e minha bochechas ficaram vermelha quando eu olhei pra ela por muito tempo.
-Então quer comprovar pra mim que essa mentira é verdade?
-Como pode ser verdade se é mentira?- ela sorriu gostando do trocadilho.
-Eu duvido!
-Pois então duvide longe daqui, você quase conseguiu mais eu não vou te envolver nisso.
-Não, eu não sei nada sobre você Belatricé. Agente não passou nem uma hora juntos!
-Você sabe de algo que ninguém sabe.
-É, acho que isso explica o fato de você não estar em uma camisa de força.
-Você é que é muito burro-explodiu ela de raiva derrepente, parecia querer arrancar a minha cabeça.
-Burro, por que?! Não vou cair nesse jogo. Eu não sei o que você quer, mas, não tente me passar para trás! Você nem me convidou para entrar!
-Não tem nada pra você aqui dentro- disse ela rudemente.
Ela me deixou sem fala.
-Realmente não sei o que você veio fazer aqui.
-Ser pisado e ridicularizado, por você Belatricé. Foi a unica coisa que fiz o dia todo. Repito; Você é louca.
Eu me desencostei do batente da porta.
-Será que se eu voltar á vê-la amanhã, você vai achar que é o Napoleão Bonaparte?
Eu dei a costas para ela.
-E você?!-ela gritou- Vai achar que é um detetive?
Belatricé bateu a porta.


E eu me arrependi de cada palavra que disse aquela noite.

Continua...

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu queria tanto que o Declan ficasse com a Belatricé... eles brigam tanto!

Beê Fontana disse...

kkkkk' , cada coisa ao seu tempo!