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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Eles brincam com a minha mente

No fundo, eu sabia. Eu tinha certeza, de que era verdade, no cerne de meu ser, eu conhecia tudo aquilo. De alguma forma que eu ainda não conhecia...
-Ah que ótimo, isso facilita bastante...-murmurei frustrado.
-Acho que a intenção era realmente dificultar- respondeu ela.
Era só um corredor, extenso. Só um maldito corredor escuro.
Quando apontávamos a luz da lanterna, para o final dele, não havia absolutamente nada. Era reto, sem curva, e eu não conseguia ver nenhum tipo de entrada para qualquer lado.
Era subterrâneo, e a sensação de claustrofobia, gritava dentro da minha cabeça.
Belatricé e eu andamos por mais alguns minutos, então tudo entrou em movimento. Algo acima de nós pareceu se espatifar. Um vaso talvez, eu não sabia.
O barulho de unhas voltou a tilindrar, agora mais perto, mais alto.
-Alguém tem que parar logo com esse barulho! Já está me incomodando!-ela balançou as mãos.
-Ah, só o barulho, que está te incomodando? O fato da agente estar lidando com um fantasma, não incomoda em nada, eu imagino...-soltei sarcástico.
Ela se limitou a rir. Então parou. Outro som ensurdecedor, de origem desconhecida retumbou, quando Belatricé pisou em falso, em uma parte oca do piso.
-Declan um passo pra trás!- ela quase gritou.
Não pensei duas vezes antes de obedecer. Ela parou na minha frente, quando o chão de madeira, foi criando rachaduras sinuosas. Belatricé levantou a barra da calça, esquerda e a direita, tirando dois revolveres, e me entregando um.
-O que...?- comecei
-Vai matar o que precisa ser morto!
-Isso é bem... reconfortante- gaguejei -O que agente faz?
-Tenta não ser acertado por nada, ou qualquer coisa.
-O que eu faço?
-Para de fazer perguntas agora mesmo!- ela pareceu meio irritada.
Eu já estava irritado, por ter que fazer tantas perguntas, mais eu não sabia de nada. Como ela queria que eu me comportasse?!
Meus olhos quase saltaram das órbitas. 
Bem no fim do corredor, misturado a escuridão, eu vi uma criatura sinistra, fazendo ecoar, e retumbar, pelas paredes, fazendo se instalar na minha mente, um estranho ruído, vindo da garganta fantasmagórica. Um velho, calvo, de cabelos brancos, as órbitas vazias pareciam enchergar tudo.
Vi todos os meus temores afundando em mim, como o Titanic. Bom para Belatricé, porque agora eu não conseguia mais fazer perguntas. Tão pouco, qualquer reação. Ela foi mais rápida que eu, olhando a criatura com um olhar prático, ela mirou, atirou, e o fantasma sumiu em uma nuvem de poeira.
-Declan?-chamou ela sem se virar pra mim.
Parado, estático, e olhando para as costas dela, eu perguntei ainda espantado.
-Ele morreu?
-Claro que morreu.
-Estou perguntando se ele vai voltar- disse impaciente.
-Claro que vai.
-São só fantasmas?
-Sim. Mas, você estar certo, é relativo- ela andou até a rachadura e bateu a mão em punhos ali, jogou a luz da lanterna, e percebeu uma fechadura -O fato de ele ser um fantasma não o torna real, ou mesmo um espírito de verdade.
-Acho que sua intenção é me complicar.
-Ele só apareceu na nossa mente.
-E esse tiro?
-Totalmente psicológico.
-Isso torna fantasmas imaginários?
-Não, torna esse fantasma imaginário. Antes que você peça que eu lhe explique, eu digo que, um demônio está nos vigiando neste exato momento, esperando pra aparecer  enquanto ele brinca com a nossa mente. É claro que ele vai se arrepender por isso...- eu a vi sorrir de lado, de um jeito estranho.
-Que bom que você lembrou da lanterna...
-É, eu sempre tenho que me enfiar em lugares bizarros, e escuros. Como agente vai abrir isso?
A portinhola estava podre, só o metal da fechadura parecia forte. Tentei abrir, mais estava emperrada.
-Mais que diabos! Há quantos séculos ninguém abre isso?-perguntei irado.
-Deve haver uma maneira-ela passou a mão pelo queixo.
-É, pena que não trouxemos os explosivos -ironizei.
-Bem sutil. Vamos ser discretos, okay?- pausa- Mas, olha só quem parece bem humorado, isso é ótimo para uma pessoa que pode morrer daqui á pouco...
-Acho que é a adrenalina- dessa vez puxei num rompante, forte e brutal. As dobradiças enferrujadas, protestaram e cederam, me deixando com a portinhola de madeira balançando em minhas mãos.
-Um explosivo seria menos barulhento!!! -sussurrou ela furiosa.
-Melhor do que ficar fazendo papel de bobo aqui para sempre, agachado nesse chão- revidei.
-É vamos antecipar nossa morte.
-Ou então vamos ficar aqui discutindo, esperando ele vir nos pegar!


Nós dois nos assustamos quando a porta por onde tínhamos entrado se fechou sozinha. Batendo com força, algo piscou a nossa frente, e eu atirei sem pensar.


Continua...



sexta-feira, 4 de março de 2011

Sigo Belatricé até o Inferno

Eu ainda tinha ficado um tempo parado olhando á porta fechada.
Como se ela fosse sair, para me dizer algo, eu não sei bem o que eu esperava, mas, no final das contas eu sempre esperava alguma coisa de Belatricé.
Com a mente vazia, e a expressão, que não mostrava nada o que eu sentia eu me afastei me dirigindo para a porta do elevador. Eu não olhei os números do elevador mudarem enquanto ele subia, ou descia, não sei bem.
O silêncio foi rompido por passos pesados e agíeis. Olhei para o lado, por mero reflexo, e mais uma vez me surpreendi. 
Belatricé, vinha quase correndo. Olhou para o relógio, impaciente, como se fosse caso de vida ou morte.  
-Você não vai falar...- eu ia dizendo 
-To muito apressada-ela me cortou batendo os pés insistentemente no chão.
-Agente ainda não decidiu nada!- contestei agoniado.
-Pense no caso. Eu tenho um local de investigação. 
-O que?!-surtei- Você ia sair para resolver o caso e não ia me falar?
-Tá sabendo agora- disse ela olhando os andares passarem.
O elevador parou. Eu tentei falar com ela no elevador, mas, meu telefone tocou e eu tive que atender, nada de bom como sempre.
O elevador parou, e eu desliguei o telefone, sem me importar se a mulher do outro lado da linha ainda tinha alguma coisa á dizer.
-Você só pode estar brincando! Ei! Não me deixe falando sozinho!- eu saí correndo atrás dela.
Eu não reparei, mas, o hall do prédio parecia estar cheio.
-Se não quer falar sozinho...-ela acenou para um taxi que passava- fale com a porta!
Ela entrou no carro, e eu disse apontando para ela.
-Vou seguir você, Belatricé Blake!
-Vai pro inferno!- gritou ela mandando o taxi seguir.
-Só se o seu taxi estiver indo para lá!- gritei correndo para o meu carro que estava bem ali na porta.


Eu acelerei, mal sabia que naquela partida eu deixaria todo o meu ceticismo, e dali em diante eu descobriria que os meus fantasmas eram reais.


Continua...